Segunda-feira, 05 de dezembro de 2022

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Poema Obsceno

Poema Obsceno

“Façam a festa
Cantem. Dancem
que eu faço o poema duro.

O poema murro
sujo
como a miséria brasileira.

Não se detenham:
Façam a festa.

Bethania, Martinho,
Clementina.

Estação Primeira. Mangueira. Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira.

Todos,
façam
a festa

enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema

que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)

Não se prestará a análises estruturalistas.
Não entrará nas antologias oficiais.

OBSCENO

como o salário de um trabalhador aposentado.

O poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do país
e espreitam”.

O amor que era pra você

 

Ferreira Gullar

O uso deste material é livre, contanto que seja respeitado o texto original e citada a fonte: www.assediomoral.org