Quarta-feira, 10 de agosto de 2022

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Brasil: que fazer?

Brasil: que fazer?

Você que mora no alheio,
que anda de lotação,
que trabalha o dia inteiro
pra enriquecer o patrão

-que ainda espera desse mundo de injustiça e exploração?

Você que paga aluguel,
que pagará toda a vida
a casa que não é sua,
que pode a qualquer momento
ser posto no olho da rua

-que pode esperar da vida que deveria ser sua?
Que pode esperar da vida quem a compra à prestação?

Quem não tem outra saída:
-ser escravo ou ser ladrão?
Que pode esperar da vida
que a recebe vendida
por seu pai ao seu patrão?

Pro patrão você trabalha
dia e noite sem parar.
Você queima a sua vida
pra ele a vida gozar.

Você gasta a sua vida
pra dele se prolongar.
Você dá duro, padece,
você se esgota, adoece,
e quando, enfim, envelhece
o que é ruim vai piorar.

Só então você percebe
que tempo você perdeu.
Você vê que sua vida
foi dura mas não valeu.

Você passou a seu filho
o mundo que recebeu:
O mundo injusto e sem brilho
que, de fato, nem foi seu,
que não será do seu filho
se nele não se acendeu
o sentimento profundo
que traz o homem pra luta

-luta que fará o mundo
ser dele, ser meu, ser teu.

Por isso meu companheiro,
que trabalha o dia inteiro
pra enriquecer o patrão,
Te aponto um novo caminho
para tua salvação,
a salvação de teu filho
e o filho do teu irmão:

Te aponto o caminho novo
da nossa revolução.
Então verás que tua vida
ganha nova dimensão,
que em vez de triste e perdida
terá força e direção.

E cada homem da rua
Verás como teu irmão
que, sabendo ou não sabendo,
procura a libertação.
Sentirás que o mar que bate
na praia não bate em vão;
Que a flor que cresce no Meyer
não cresce no Meyer em vão;

Que o passarinho que canta
não canta pra teu patrão;
Que a grama verde que cresce
empurra a revolução.

O mundo ganhou sentido,
teu braço ganhou função.
A revolução floresce
na minha, na tua mão,
que nada há mais que a detenha

-nem polícia nem bloqueio
nem bomba nem Lacerdão

Que ela assobia no vento
e marcha na multidão,
ilumina o firmamento,
gira na constelação
porque já foi deflagrada
no meu, no teu coração.

 

Publicado na Revista dos Sem Terra; edição especial – setembro de 2003

O uso deste material é livre, contanto que seja respeitado o texto original e citada a fonte: www.assediomoral.org